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Ano novo… pés novos!!!

Para o novo ano pense em tratar, cuidar e mimar os seus pés ainda mais!

Se nunca fez uma revisão aos seus pés, procure um podologista e faça em check up podológico.

Através de uma avaliação biomecânica, com a ajuda de um sistema informatizado de medição de pressões é possivel fazer um estudo do seu caminhar e uma análise do apoio dos seus pés.

Aproveite e faça periodicamente uma higiene completa à pele e ás unhas. Livre-se de calos e fungos indesejados… 

Saiba como está a saúde dos seus pés e vai ver que eles agradecem!

Desejos de um bom 2009 para todos os leitores.

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Podologia / Podologistas / Podiatras. – Educação para a saúde – Cuidados a ter com os pés no tempo outono, Inverno e primavera

Desde sempre na minha consulta me deparo com as alterações dermatológicas nos pés dos pacientes.
É um facto adquirido que as dermatomicoses ou dermatofitias plantares, provocadas por fungos dermatófitos, são das patologias mais frequentes que nos chegam à consulta de podologia.
Diariamente e cada vez mais, os pacientes recorrem ao Podologista/Podiatra com queixas de comichão nos pés (prurido), bolhas (vesículas), gretas interdigitais (as mais frequentes), maceração, descamação (que no caso das dermatofitias tem uma apresentação característica), entre outras.
Após a anamnese e o contexto clínico adequados, procede-se ao diagnóstico e respetivo tratamento, que pode ser tópico ou sistémico.
Neste contexto o paciente estará clinicamente bem aconselhado e procederá ao respetivo tratamento.
Contudo é prática corrente na consulta de podologia a intervenção do Podologista/Podiatra ser mais completa e neste sentido o aconselhamento dos cuidados a ter, ou as mudanças a realizar nos seus hábitos do cotidiano são de extrema importância para que a patologia possa ser erradicada.
A Educação para a saúde faz parte do âmbito e do contexto clínico da consulta de podologia, nomeadamente para a contribuição da prevenção e tratamento do pé, após o diagnóstico e tratamento recomendado.
Neste contexto e uma vez que em Portugal já é outono, deixo alguns conselhos para prevenir alterações nefastas aos seus pés e manter a saúde e bem estar dos mesmos.

Educação para a Saúde, cuidados a ter com os pés no inverno:

-Secar bem os pés e espaços entre os dedos, desta forma evitamos que passe humidade desnecessária para o calçado,
-Usar meias de fibras naturais como o algodão, a lã,
-Alternar diariamente o calçado, para que areje e seque do uso a que foi submetido.
Nota: se só usa um modelo de sapato, o melhor será alternar o modelo de sapato para que o pé não se molde e deforme à configuração do mesmo.
Mas se por exemplo só usa ténis poderá ter mais do que um par de ténis para que possa alternar e arejar o calçado e assim manter a higiene dos mesmos. O mesmo se aplica ao calçado em geral, deve trocar de calçado diariamente.
– Um conselho que dou aos meus pacientes é tirarem os sapatos e trocarem de meias assim que chegam a casa, este hábito é muito importante, pois após nos descalçarmos as meias estão húmidas e se não as trocarmos irão secar em contacto com a pele dos pés, o que faz com que a humidade passe para os pés, promovendo o meio ambiente favorável ao desenvolvimento dos fungos.
Para quem sofre de excesso de transpiração (hiperhidrose), costumo aconselhar a trocarem de meias a meio do dia, é um hábito simples, que faz toda a diferença.
Com estes hábitos, também evitamos o mau cheiro (bromohidrose) muitas vezes provocado pelo excesso de transpiração (hiperhidrose, que favorece o desenvolvimento de microorganismos capazes de provocar este tipo de reação.
Costumo dizer é melhor para a saúde do pé secar muito bem os pés e mantê-los secos e arejados, do que lavar excessivamente.
É bem agradável perceber que até as crianças se habituam bem e gostam destes hábitos. Partilho uma curiosidade lá de casa, quando chegamos a casa, os meus filhos pequenos, são muitas vezes os primeiros a dizer: ‘mamã é para tirar os sapatos e as meias.’ ?


Joana Azevedo Podologista/Podiatra

Membro da Associação Portuguesa de Podologia
AECP e AEMIS

Responsável pela Linha Podologia Canal sapo saúde

Membro fundador do Núcleo de Podologia da ESSVA
Voluntária e co-organizadora do Podofatima, assistência ao peregrino
Licenciada pela CESPU
Estágio Hospitalar no Hospital Nossa Senhora de Oliveira – Guimarães
Especialização em Cirurgia de Antepé NYCPM New York College of Podiatric Medicine
Cirurgia Maior de Pé e Tornozelo Universidade Católica S. Vicente Martir
Responsável pela consulta de Podologia na Clinica Parque do Estoril-Grupo Cordeiro Saúde


Mãe e cuidadora!!!

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Onicomicoses / Micoses nas Unhas

As onicomicoses (micoses que afectam as unhas), devem-se à presença de fungos nas unhas que, tal como na pele, originam alterações no local onde se encontram.

Nas unhas é frequente observarmos que estas ficam mais grossas, com aspecto envelhecido, com coloração diferente, que pode ser esbranquiçada, amarelada, etc. Pode apresentar-se descolada do leito, ou apresentar depósitos “farinhentos” que frequentemente cheiram mal.

Com o avançar da patologia é frequente a unha encravar. Em estados avançados da doença o crescente engrossamento da lâmina ungueal pode dificultar o uso de sapatos fechados podendo provocar dores e mal estar constantes.

O tratamento desta patologia não é complicado nem doloroso se tratado por um podologista/podiatra. Na maioria das vezes demora entre 6 e 8 meses. Nos casos mais avançados pode demorar um ano ou mais até à cura completa. nOs estados iniciais de onicomicose pode demorar menos de 6 meses, mas são casos mais raros.

Este é o tempo necessário para que a unha cresça na totalidade, já que cresce apenas cerca de 2mm por mês e é fundamental manter o tratamento até à completa substituição/regeneração da unha afectada.

O tratamento só é eficaz se juntamente com o tratamento farmacológico forem feitos tratamentos podológicos mensais, bimensais ou trimensais dependendo do grau de afectação das unhas.

Os tratamentos de onicomicose consistem no rebaixamento das unhas, procedimentos de limpeza e reeducação ungueal, este último processo é fundamental para garantir o correcto crescimento da unha sem que encrave ou perca o seu trajecto e configuração normais.

O arrancamento das unhas bem como a eliminação da matriz para que a unha não cresça mais (matricectomia total), não são tratamentos de eleição para este tipo de patologia.

Como deve perceber este é um processo que requer técnicas e meios específicos, pelo que o recurso a um podologista/podiatra é fundamental para que possa receber o tratamento adequado, ser esclarecido e aconselhado sobre o tratamento que deverá seguir em casa de forma continuada até ao fim do tratamento.

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O Calçado e o doente Diabético

 Os pés dos pacientes diabéticos devem ser sempre objecto de estudo e dedicação para os podologistas dada a fragilidade das estruturas a ele inerentes, as deformações específicas dos pés e a ausência precoce de sensibilidade.

Na realidade, segundo estudos recentes, o calçado inadequado é o principal factor precipitante das lesões ulcerativas do pé diabético.

A instabilidade do pé diabético associada à falência de mecanismos de protecção intrínsecos e ausência de sensibilidade às agressões extrínsecas, aumentam o risco de aparecimento de hiperpressões, deformações e possivelmente ulcerações.

Quando existe ausência de sensibilidade do pé, o aconselhamento do podologista na compra do calçado é fundamental para protecção eficaz do pé e simultaneamente para correcção do seu posicionamento, com distribuição das hiperpressões, correcção das deformações reversíveis e protecção das irreversíveis.

Se a sensibilidade estiver mantida, o diabético poderá adquirir o seu calçado, mas sempre com indicação que deve ser confortável, adaptado e protector.

O calçado para diabéticos designado de semi-ortopédico de prevenção deve respeitar as seguintes características.

Sapatos macios e maleáveis evitando costuras interiores, para evitar zonas de fricção, potenciais locais do aparecimento de lesões;

A parte anterior ampla com boa caixa, biqueira arredondada, para evitar posicionamentos viciosos que possam contribuir de forma directa para a deformação dos dedos, onicocriptoses (unhas encravadas), hematomas subungueais, hiperqueratoses e um consequente meio interdigital quente e húmido facilitando a maceração da pele, originando a proliferação de fungos e bactérias:

  • Deverá movimentar os dedos no sapato;
  • O tacão deverá ter entre 2 a 2,5cm;
  • A região dorsal do sapato deverá ter a capacidade de distensão mediante cordões ou velcro;
  • Calcanhar com contraforte;
  • Bordo de abertura do sapato almofadado;
  • Sola rígida mas flexível e antiderrapante;
  • Caixa alta e ampla, para sentir os pés confortáveis e bem adaptados aos sapatos, não devem ser apertados nem demasiado folgados, habitualmente adquire-se um número acima.

Enquanto novos, não iniciar a marcha com períodos superiores a duas horas e deverá examinar cuidadosamente os pés.

O diabético deverá experimentar os sapatos ao fim do dia, quando os pés se encontram mais edemaciados.

Dentro do calçado semi-ortopédico temos os sapaos de prevenção que são os standardizados (já referidos) e os de ajustamento individual que permitem efectuar alterações personalizadas à deformidade do doente, como no caso de Hallux Abductus Valgus, joanetes, dedos em garra. O sapato ortopédico é aquele que é confeccionado através do molde do pé do doente.

Depois de bem calçado deve-se avaliar todas as zonas sujeitas a traumatismo e confeccionar sistemas de alívio de pressão, como é o caso das ortóteses de silicone e das ortóteses plantares, podendo estes sere usados para a prevenção das lesões e para acelerar a cura das úlceras, nunca esquecendo a máxima PÉ – ORTÓTESE – SAPATO. 

Texto adaptado da monografia do VIII Congresso Europeu de Podologia / I Congresso da Associação Portuguesa de Podologia: Uma Dinâmica Europeia; Conferência: “O calçado e o doente diabético”, Dra. Rosa Teles Costa, Torre do Tombo, Junho de 2006

Diabetes Mellitus

Diabetes é uma Doença:

  • Crónica, evolutiva, mas controlável
  • Provocada por excessos “alimentares” 
  • Associada a outras doenças como obesidade e hipertensão arterial
  • Caracterizada por complicações em orgãos como: pés, olhos, rins e coração.

A diabetes não escolhe idades, afecta crianças, adultos e idosos.

Sintomas da Diabetes

O Pâncreas é uma glândula que produz e segrega INSULINA (nos ilhéus de Langerhans). Se a insulina faltar, o açúcar (glicose), proveniente dos alimentos, não pode ser usado pelo organismo como fonte de energia e a sua concentração aumenta no sangue. O excesso de açúcar no sangue é eliminado através dos rins, que para o dissolver, eliminam também um grande volume de água. Assim a pessoa urina mais (poliúria) e bebe muito (polidipsia) para compensar a perda de líquidos. Ao não se aproveitar o açúcar, as gorduras são queimadas e há emagrecimento.

Outra consequência é o aumento de apetite e o aumento do consumo de alimentos (polifagia). Quanto mais se come, mais aumenta a ingestão de açúcar, resultando isto num aumento do seu nível no sangue. Estabelece-se assim um cículo vicioso.

Principais Sintomas Característicos da Diabetes:

  • Cansaço;
  • Urina abundante;
  • Emagrecimento;
  • Aumento de apetite.

Outros Sintomas:

É conveniente recordar que podem surgir outros sintomas, que por serem menos evidentes receben o nome de Sintomas Secundários:

  • Comichão generalizada ou nos orgãos genitais;
  • Propensão a infecções da pele (panarícios, furúnculos);
  • Dificuldades na cicatrização de feridas;
  • Infecção das gengivas;
  • Afrouxamento dos dentes;
  • Dor e formigueiro nas extremidades;
  • Alterações da visão.

Mas… a Diabetes pode não dar sintomas

Nem todos os diabéticos apresentam estes sintomas; alguns apresentam um ou dois e mais de metade dos Diabéticos não têm nenhum sintoma.

Existem portanto, diabetes ignoradas que por serem ligeiras não são acompanhadas de nenhum desconforto.

O Diabético sente-se bem mas na realidade os seus orgãos internos (olhos, rins, nervos e em geral, todo o aparelho circulatório) estão a deteriorar-se como consequência de um mau aproveitamento do açúcar. Ao fim de algum tempo pode ser uma complicação maior a fazer com que a Diabetes seja descoberta.

O Diagnóstico é fácil quando aparecem os sintomas principais. Pelo contrário, quando são os sintomas secundários a aparecer, a suspeita é mais difícil e apenas as análises sanguíneas e da urina, com exame específico, podem confirmar o diagnóstico.

Muitas vezes a Diabetes é descoberta de uma forma casual quando se realizam análises de rotina por diversos motivos (check-up, cirurgia, etc.).

Nas crianças e jovens o início da Diabetes é rápido, com sintomas mais claros e evidentes.

Nos adultos e idosos o início é gradual, com sintomas não muito claros e não é raro um diagnóstico casual.

Diagnóstico da Diabetes

 O diagnóstico da Diabetes faz-se sempre por meio de análises.

Análises de glicose na urina

A existência de uma quantidade importante de glicose, mais de 15 ou 20 gramas, especialmente se acompanhada de acetona é geralmente sugestiva de Diabetes.

Valores mais baixos podem ser equívocos pois há outras situações em que podem aparecer. Por isso deve confirmar-se sempre com análises no sangue.

A ausência de glicose na urina não exclui a existência de diabetes já que em determinadas circunstâncias a glicose pode estar elevada no sangue sem passar para a urina.

Análises de glicose no sangue

O aumento da glicose no sangue é o parâmetro mais fiável para diagnosticar a Diabetes. Pode ser medida a diferentes horas do dia mas habitualmente faz-se a avaliação em jejum. Nos adultos, valores de glicose em jejum abaixo dos 110 mg/dl (plasma venoso) devem ser considerados normais. Quando aparecem valores superiores a 126 mg/dl em mais que uma ocasião pode fazer-se o diagnóstico de Diabetes. Uma única análise com valor alto de glicose não é suficiente para estabelecer o diagnóstico; é necessário confirmar esse valor com uma nova determinação noutro dia.

Quando a glicose no sangue está acima dos 180 mg/dl o rim não consegue evitar que ela passe para a urina e aparece glicosúria. Se a quantidade de glicose no sangue, em jejum, se encontrar entre os 110 mg/dl e os 126 mg/dl não pode ser considerado normal já que se trata de um valor alterado e que deve ser mantio sob vigilância

Em alguns casos é recomendado realizar a Curva de Glicémia, que consiste em tomar, em jejum, gicose (geralmente 75 mg) dissolvida em água e em seguida realizar uma série de análises em momentos distintos. Esta prova serve para aclarar situações duvidosas, no entanto, não deve ser realizada se houver a certeza que a pessoa é diabética pois a ingestão de glicose neste caso poderia ser prejudicial.

Quem pode ser Diabético?

A Diabetes é uma doença muito frequente.

Todas as pessoas podem ter Diabetes mas há algumas que são mais predispostas que outras.

Em metade dos casos a Diabetes passa despercebida, por isso é recomendado que as pessoas de maior risco façam testes.

Estas pessoas são:

  • Pessoas com mais de 45 anos e principalmente os idosos;
  • Pessoas com parentes em primeiro grau com Diabetes;
  • Obesos;
  • Mulheres que tiveram filhos com mais de 4Kg ou que tiveram hiperglicemia durante a gravidez;
  • Mulheres que tiveram abortos repetidos;
  • Hipertensos;
  • Pessoas com alterações de metabolismo das gorduras (colesterol anormal, triglicerídeos aumentados).

Complicações Agudas da Diabetes

1.      HIPOGLICÉMIA

É a baixa acentuada do açúcar no sangue (glicemia <70 mg/dl);

Os sinais de alerta são:

  • Astenia (falta de forças);
  • Cefaleias (dores de cabeça);
  • Tonturas, tremores e suores;
  • Sono agitado.

Quando estiver nesta situação coma imediatamente 1 ou 2 pacotes de açucar ou uma bebida açucarada.

2.      COMA DIABÉTICO

Há falta de produção ou utilização da insulina;

No sangue há aumento acentuado do açucar;

Na urina há aparecimento de açúcar e de corpos cetónicos;

Os sinais de alerta são:

  • Poliúria e polidipsia;
  • Polifagia e emagrecimento;
  • Náuseas, cansaço fácil e mal-estar;

Quando se encontrar nesta situação recorra ao Serviço de Saúde mais próximo.

Insulina

É uma hormona produzida pelo pâncreas, cuja função é descer o açúcar no sangue;

No diabético a sua produção é insufuciente ou não existe, pelo que é necessário receitá-la como medicamento.

As instruções de utilização devem ser rigorosamente cumpridas:

  • Guarde a insulina na porta do frigorífico, na parte mais baixa;
  • Agite bem a embalagem antes de preparar a dose;
  • Certifique-se que toma a dose adequada;
  • Coma imediatamente, após a administração de insulina;
  • Respeite os locais de administração indicados pelo seu médico.

A Dieta do Diabético

A dieta constitui o pilar fundamental do tratamento da Diabetes.

Seguir à risca o regime alimentar aconselhado oelo médico assume uma importância enorme, já que constitui uma medida eficaz para prolongar a vida.

Todos os doentes devem cumpri-la, pois com esta simples medida consegue-se manter compensados mais de 1/3 dos Diabéticos.

Os alimentos elevam o nível de açúcar no sangue, mas nem todos o fazem da mesma maneira, pelo que um esquema alimentar adequado favorece, em muitos casos, a reduçõ dos níveis de glicose.

Com a dieta, pretende-se atingir um peso ideal, favorecer o desenvolvimento normal no caso das crianças e manter os níveis de glicose o mais próximos possível dos valores normais.

A necessidade de dieta é tão antiga como a própria Diabetes. Antes, os regimes eram restritos, embora actualmente sejam estabelecidos em relação com as necessidades de cada doente.

Os Alimentos

Todas as funções do organismo envolvem um gasto de energia. Esta energia provém dos alimentos que ao se decomporem são formados por substâncias a que chamamos nutrientes.

Estes nutrientes produtores de energia, são: hidratos de carbono, gorduras e proteínas. Mas os alimentos também são compostos por vitaminas, sais minerais e água, que não têm valor calórico nem energético.

Na dieta do Diabético, como na de todas as pessoas, é necessário que haja equilíbrio entre todos os nutrientes.

Os hidratos de carbono produzem energia (1 grama produz 4 calorias) e encontram-se nos cereais, legumes, batatas e em diversas frutas.

As gorduras produzem muita energia e acumulam-se para serem utilizadas posteriormente pelo organismo (1 grama de gordura produz 9 calorias). São principalmente fornecidas pelo azeite, manteiga, toucinho, banha, etc.

As proteinas também produzem energia (4 calorias por cada grama) e contribuem fundamentalmente para a formação dos tecidos, dos músculos, etc. As de origem animalsão fornecidas principalmente por alimentos como a carne, o peixe, os ovos, o leite e o queijo. As de origem vegetal, encintram-se sobretudo nos legumes.

As vitaminas e sais minerais não têm valor calórico e são fornecidas principalmente pelas hortaliças, os legumes e as frutas.

Esquema Alimentar

No esquema alimentar do Diabético, os elementos nutritivos são repartidos diariamente.

O valor calórico total depende de muitos factores, tais como: idade, sexo, actividade física e existência ou não de excesso de peso corporal.

25 calorias/Kg de peso corporal/dia na mulher e 30 calorias/Kg de peso corporal/dia no homem, são as quantidades recomendadas para os não obesos que praticam um exercício físico moderado.

A distribuição dos nutrientes deve ser efectuada como se segue:

  • 50-60% sob a forma de hidratos de carbono (100g/dia, como mínimo)
  • 25-30% sob a forma de gorduras;
  • 15% sob a forma de proteínas.

Do grupo dos hidratos de carbono há que evitar, na medida do possível, a administração de açúcares simples. As proteínas devem ser de origem animal, pelo menos numa percentagem de 50%. A outra metade deverá ser de oeigem vegetal.

O número de refeições diárias recomendado deve ser de seis:

Três refeições principais (pequeno almoço, almoço e jantar) e outras três intercaladas (a meio da manhã, lanche e antes de deitar).

Deste modo, evitar-se-ão variações bruscas dos níveis de glicose.

O relógio e a balança são indispensáveis na dieta do Diabético. Um esquema alimentar correcto deve ser bem calculado e devidamente ponderado, adaptando-se a um determinado horário.

A dieta “livre” nunca deve ser aplicada.

Alterações à Dieta

Para não cair na monotonia, deverá ser utilizada uma tabela de equivalências que permite fazer a substitução de uns alimentos por outros.

A dieta variará em função da idade, sexo, actividade física e existência ou não de excesso de peso, tendo em conta outras circunstâncias, tais como: gravidez, tensão arterial, existência de acetona no sangue, ou qualquer alteração no metabolismo lipídico.

Os alimentos ricos em fibra são aconselháveis, na medida em que ajudam a diminuir as oscilações dos níveis de glicose. Por esse motivo, o consumo de pão e dos chamados produtos integrais, é muito favorável para os diabéticos.

Os “alimentos especiais para Diabéticos” não são geralmente aconselháveis (consulte o seu médico ou nutricionista).

As bebidas alcoólicas fornecem calorias, pelo que podem desiquilibrar a dieta.

O adoçante mais adequado para Diabéticos é a sacarina.

Os refrigerantes, mesmo os amargos, contêm geralmente açúcar, com excepção dos refrigerantes “light”.

Lembre-se que:

  • A dieta é o pilar de base do tratamento da Diabetes;
  • A dieta não significa restrição, mas sim um esquema alimentar específico;
  • A dieta não deve ser rotineira;
  • Reparta os alimentos por cinco ou seis refeições diárias, não passando mais de três horas sem comer;
  • É um erro crer que o bom cumprimento da dieta consiste unicamente na não ingestão de açúcar ou doces;

Hidratos de carbono são por exemplo: batata, arroz, massa, pão, bolachas, bolos.

Hidratos de carbono aumentam o açúcar no sangue quando ingeridos de forma incorrecta;

Comer hidratos de carbono de forma irregular e em quantidades insuficientes pode provocar hipoglicémia, especialmente se toma insulina;

A melhor forma de tratar uma hipoglicemia é preveni-la.

Recomendações:

  • Não se esqueça de nenhuma refeição e coma a horas certas (3 em 3 horas);
  • Pode tomar bebidas dietéticas e sumos naturais sem açucar;
  • Beber bebidas alcoólicas sem comer pode provocar hipoglicémia;
  • Se aumentar a sua actividade física habitual podeajudar abaixar oaçúcar no sangue;
  • Se praticar exercício físico exagerado deve comer mais hidratosde carbono;
  • Em caso de febre, vómitos ou diarreia deve dirigir-se, imediatamente, ao Centro de Saúde ou Hospital mais próximos;
  • Traga sempre açúcar consigo;
  • Identifique-se sempre como Diabético a tomar insulina;

Traga o seu Guia do Diabético, sempre, consigo. Mantenha-o em bom estado, consulte-o e saiba os seus direitos e deveres.

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Calos / Calosidades

Os calos ou calosidades apresentam três formas clínicas distintas: helomas, tilomas e hiperqueratoses.

Dependendo das suas características e da forma como são tratados, podem ou não deixar alterações cutâneas visíveis e sintomáticas, mas de uma forma geral é possível eliminá-los de forma a que a pele adquira o seu aspecto e integridade normais.

É importante perceber que os calos surgem em zonas de maior pressão e/ou fricção e são um mecanismo natural de defesa da própria pele em resposta a estas alterações.

Desta forma só é possível tratar definitivamente um calo ou calosidade se for tratada a alteração que o origina, seja ela externa, como o calçado inadequado, ou interna, como uma alteração estrutural do pé.

Em qualquer uma das situações a intervenção de um podologista é indispensável uma vez que, para além da eliminação do calo ou calosiadade, pode previnir o aparecimento da mesma através da confecção de ortóteses digitais (normalmente de silicone) e ortóteses plantares (vulgarmente denominadas de ‘palmilhas’), que são os tratamentos mais indicados para evitar o reaparecimento destas patologiase tratá-las de forma definitiva.

Contudo, existem cremes queratolíticos e emolientes que ajudam a reequilibrar a pele podem ser usados em formas simples de calosidades ou como coadjuvantes de outros tratamentos em formas clínicas mais complexas.

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Pé diabético e seus cuidados

Falando sobre a Diabetes…

Cuide dos seus Pés 

O açucar elevado – Hiperglicemia – no sangue pode afectar:

1. Os nervos dos Pés – Neuropatia

  • Levando a uma perda lenta da sensação de posição, de pressão, de dor e de temperatura;
  •  Tornando a pele seca, sem transpiração, mais grossa e sujeita ao aparecimento de fissuras;

E assim, pode aparecer uma ferida sem que a pessoa se aperceba, porque não dói.

Andando sobre ela, pode levar a consequências desastrosas.

2. Os vasos que levam o sangue para os pés – Vasculopatia

  • Provocando dor nas pernas ou nos pés durante a marcha;
  • Pés frios, pálidos, com má circulação;

As feridas que aparecem nos pés, sem sensibilidade e com circulação de sangue deficiente – pés diabéticos – infectam facilmente e são difíceis de tratar.

E porque nunca é demais lembrar…

Cuidados a ter com os Pés nos pacientes diabéticos

  1. Observe diariamente os seus pés e a planta, o calcanhar e os espaços entre os dedos, para ver se há zonas de cor diferente, bolhas, fissuras, calosidades, inchaço… Se não lhe é possível fazê-lo, por dificuldade na posição, use um espelho e se tem dificuldade de visão peça auxílio a outra pessoa.
  2. Lave os Pés todos os dias, durante 2 ou 3 minutos, usando sabonete neutro e água tépida (verifique sempre a temperatura da água) e não os “ponha de molho”. Seque-os muito bem, em particular nas zonas entre os dedos. Aplique um crème hidratante na planta e no dorso, (não entre os dedos), massajando bem.
  3. Use uma lima de cartão para desgastar as unhas, movimentando-a em linha recta de um lado para o outro.
  4. No verão não use sapatos sem meias.
  5. Use meias de fibras naturais(como a lã ou o algodão) sem costuras e que não apertem nas pernas.
  6. Nunca ande descalço, de forma a evitar lesões ou alterações na pele.
  7. Não aqueça os pés com bolsas de água quente, nem aproxime os pés de aqueçedores, lareiras ou outras fontes de calor.
  8. Antes de calçar os sapatos, verifique com a mão, se não há qualquer objecto dentro deles.
  9. Use sapatos confortáveis, adaptados ao seu pé, de forma que não haja zonas apertadas ou em que se exerça pressão excessiva. Os sapatos fechados protegem mais os pés, quer de “batidas ou topadas” quer de pedras ou areias.
  10. Nos calos não use calicidas nem outros produtos semelhantes.
  11. Nas calosiadades pode usar pedra pomes de forma suave, mas não use limas, lixas ou objectos de corte, que possam irritar a pele.
  12. O cigarro prejudica seriamente a circulação sanguínea.
  13. Consulte um Podologista regularmente de forma a prevenir qualquer tipo de alteração patológica.

Lembre-se que a prevenção é o melhor tratamento, especialmente se é diabético.

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Espinha Bífida

O que á a Espinha Bífida?

Espinha bífida é um defeito congénito das paredes do canal espinhal, causado pela ausência de união entre as lâminas das vértebras, isto é uma situação em que as vértebras não fecham completamente. Localiza-se mais na porção inferior da coluna cervical (região lombosagrada)

Esta alteração está presente em 5 a 10% da população.

Basicamente existem dois tipos de espinha bífida: oculta e aberta.

A espinha bífida oculta manifesta-se sobretudo por alteração da pilosidade, depressão da zona lombosagrada, ou mancha venosa (mancha cor de sangue). 

A espinha bífida aberta é consequência de uma malformação mais grave, a qual pode originar um meningocelo (quisto de meninge) ou um mielomeningocelo (quisto de meninge que atinge a medula).

São normalmente as formas mais severas da patologia (mielomeningocelo) que levam a alterações do membro inferior. Como consequência desta patologia podem surgir diferentes neuropatias, das quais se destacam a paraparesia (paralisia dos membros inferiores), deficit motor, ausência de reflexos e ou sensibilidade e artrogriposes (posições articulares defeituosas, como o pé boto).

Tratamento e acompanhamento podológico da Espinha Bífida.

O tratamento podológico do paciente com espinha bífida que apresenta alterações no pés direcciona-se para as alterações biomecânicas e dérmicas, bem como para as frequentes alterações da sensibilidade que comportam sério risco para a integridade da pele, uma vez que podem provocar graves lesões nos pontos de maior apoio.

O tratamento deve ser efectuado precocemente (desde o nascimento). Consiste na quinesioterapia, ortóteses diurnas e nocturnas e, em alguns casos, cirurgia. O objectivo é proporcionar ao pé uma maior superfície de apoio, distribuindo as pressões de forma mais uniforme e evitando os pontos de hiperpressão, prevenindo assim o agravamento das alterações biomecânicas e das lesões cutâneas.

O acompanhamento podológico dos pacientes com Espinha Bífida é essencial para prevenir a progressão das alterações biomecânicas e dérmicas e poder garantir a saúde dos pés destes pacientes.

Agradecimento especial: Dra. Teresa Lavandeira (Neurologista Infantil)